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11 de setembro, dez anos depois

 Uma década se passou desde que os ataques terroristas no coração dos Estados Unidos sacudiram o mundo e marcaram a entrada ao século 21. As sociedades vivem com medo e novos atentados não são descartados.

As imagens ficaram gravadas na memória de todos: na ensolarada manhã do dia 11 de setembro de 2001 dois aviões se chocaram contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, que desabaram horas depois, quando já se conhecia que outra aeronave tinha impactado contra o Pentágono, em Washington, e que mais uma tinha caído em um campo aberto na Pensilvânia.

Dez anos se passaram desde essa fatídica cena na qual o terror sacudiu os Estados Unidos dentro de suas fronteiras, um amanhã que uma década depois mudou o mundo e que marcou o começo do século 21.

O medo é o principal fator que, desde os ataques do 11 de Setembro, se incrustou no núcleo da sociedade. Primeiro, e com mais força, foi nos EUA, mas depois se expandiu pela Europa por conta dos ataques dentro de alguns de seus países como Espanha e Reino Unido.  Para contrastá-lo, basta revisar como os controles de segurança nos aeroportos de todo o mundo forma reforçados, e como agora as pessoas percebem com normalidade essas exaustivas medidas.

“Agora existe um maior medo em relação ao terrorismo. A ameaça foi exagerada, o que aumentou nossa paranoia. Uma razão é que nossos líderes utilizaram a ameaça terrorista para gerar apoio para temas que não estão relacionadas com ela, como a Guerra do Iraque e o aumento das despesas de Defesa”, assegura Benjamin Friedman, pesquisador em temas de Defesa e Segurança Nacional do Cato Institute, em Washington.

A professora Nikole Hotchkiss, da Faculdade de Sociologia no Kenyon College, de Ohio, opina: “Em linhas gerais quem vive nos países desenvolvidos tem mais medo depois do 11 de Setembro. Acho que mudou nossa consciência sobre o terrorismo, em particular sobre a existência de grupos extremistas islâmicos. Nossa paranoia aumentou a respeito de certos grupos”.

O inimigo
Os ataques do 11 de Setembro, perpetrados pelo grupo extremista Al Qaeda, satanizaram os muçulmanos e árabes no mundo ocidental. De acordo com o artigo “The Expulsion From Disneyland” (“A expulsão da Disneylândia”), publicado pela Associação Americana de Psicólogos (APA, na sigla em inglês), “quando os responsáveis não podem ser castigados diretamente, as pessoas atacam alvos que percebem ser similares, em algum aspecto, a quem cometeu o ataque”. 

 Estes especialistas também analisam o impacto dos ataques do 11 de Setembro, uma década após ocorridos e afirmam que, segundo uma pesquisa realizada em 2010 pela instituto Gallup “43% dos americanos aceitaram ter um ‘pequeno’ preconceito em relação aos muçulmanos, e 53% reportaram uma visão desfavorável da fé islâmica”.

Estes especialistas também afirmaram que, além desse crescente preconceito, foram gerados outros fatores de diferente duração na sociedade americana. Por exemplo, cresceu a disposição a ceder direitos e liberdades civis para ter mais segurança, da mesma maneira em que se exacerbou o patriotismo e se aumentaram as doações e o compromisso social.

Osama bin Laden, cérebro do ataque, se tornou então o homem mais procurado pelos EUA, tanto é que a maior potência militar do mundo iniciou uma invasão no Afeganistão para encontrá-lo. Sua morte foi anunciada no dia 2 de maio, em uma operação que revelou poucos dados e que terminou, aparentemente, com o corpo do terrorista no fundo do mar.

A deputada democrata Jane Harman, que pertenceu ao Comitê de Inteligência dos EUA, considera que a batalha contra Al Qaeda está longe de terminar. “Acho que víamos Al Qaeda como uma organização monolítica, achamos que se acabássemos com sua cabeça, o resto se desmoronaria. Mas ela se transformou em uma organização horizontal com filiados no mundo todo, e acho que agora é mais letal do que nunca”, afirmou no programa de rádio Talk Of The Nation, transmitido pela National Public Radio.

Friedman, por sua vez, tem uma concepção diferente. “Não acho que haja uma guerra contra o terrorismo. Acho que estamos ganhando a batalha contra Al Qaeda, mas isso é porque essa organização estava muito mais fraturada e débil do que nossos líderes acreditavam”.

O que vem agora?
Perante o medo crescente e a impossibilidade de frear os ataques terroristas no planeta surge então a pergunta sobre se se está ganhando a guerra ao terrorismo. Para a professora Hotchkiss, “a guerra contra o terrorismo é similar à que se trava contra as drogas, uma batalha que não se pode ganhar nem perder. Primeiro porque não há um consenso sobre o que é “terrorismo”. Segundo, porque entendemos que um conflito se ganha no contexto de uma batalha entre nações onde estão estabelecidas as maneiras para determinar essas vitórias”.

E acrescenta: “Temos que compreender que o terrorismo não pertence a uma religião ou a um grupo étnico. Está sustentado em cometer atos violentos para intimidar as pessoas e promover as crenças políticas do algum grupo. Isso existe por todos os lados”.

Passaram dez anos desde os ataques e não se pôde chegar a um consenso sobre o conceito do terrorismo nem como combatê-lo. Friedman, por exemplo, considera que não há uma guerra contra este fenômeno porque “não se atua de maneira global e unificada” e acrescenta que “o que melhor funciona contra o terrorismo não é a guerra”. “Espero que deixemos de conceber o contraterrorismo como uma guerra, em vez de trabalhos policiais e de inteligência”.

O que sim está claro é que o temor a novos ataques persiste e que ninguém os pode dar por sepultados. Jane, no programa Talk Of The Nation, disse que teme por ataques, não maciços como os do 11 de Setembro, mas sim em ações “convencionais” e aponta que, possivelmente, seriam perpetrados por “gente do próprio local”.

No especial da APA, o artigo “What Should We Expect After the Next Attack?” (O que devemos esperar após o próximo ataque?), conclui que “a maioria dos americanos superarão intactos o próximo ataque. Quando foram postos à prova, demonstraram que podem ser tão fortes como qualquer outro país. E o farão várias vezes se for necessário”.

Mas a paranoia não é um bem exclusivo dos americanos, os alarmes também amedrontam o outro lado do Atlântico. Um exemplo claro ocorreu em 7 de agosto deste ano em Roma, quando os carabineiros esvaziaram o Coliseu perante a ameaça de uma bomba, que acabou sendo uma inofensiva lata de refrigerante. “Tratou-se de uma piada de mau gosto ou da ação de um louco”, assegurou o prefeito da cidade, Gianni Alemanno.

Muita luz para as vítimas do 11 de setembro e toda vítima do terrorismo.

Fonte: yahoo notícias